Do lixo à economia colaborativa: uma experiência sem perdedores

Uma iniciativa, lutando contra uma epidemia de cólera e despejos em o meio ambiente, em seus inícios com foco comercial gerenciado no cone leste de Lima é sua transformação em um empreendimento coletivo, com visão para a economia colaborativa gerando benefícios em o meio ambiente, social e econômico Uma história onde ninguém perde.

Confira mais informações sobre esta prática no site do Almanaque do Futuro (em espanhol): https://almanaquedelfuturo.files.wordpress.com/2017/05/almanaque-del-futuro-23-web.pdf

Responsável: Cepiloma

Local de implementação: Lima

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Descrição

San Juan de Lurigancho, no cone leste de Lima é o distrito com maior população da capital peruana. Ao longo dos anos, o vale que se encontra neste distrito, cercado por colinas do deserto, foi sendo povoado. No final dos anos oitenta se encontrava despejos de lixo em todos os lugares e no ano 91 a região foi atingida por uma epidemia de cólera. As pessoas viveram literalmente ao lado do lixo e não havia coleta de lixo doméstico organizada. A iniciativa para combater o problema do lixo surgiu dos missionários de Belém, que criaram a paróquia Nossa Senhora de Paz. A ideia dos missionários para processar resíduos orgânicos sólidos e produzir fertilizante orgânico angariou um grupo de voluntários, que, apoiados pela igreja, formaram ao lado de alguns profissionais a Empresa CEPILOMA. A comunidade então passou a constituir também um experiência piloto de minhocultura, produzindo humos em um espaço de três mil e quinhentos metros quadrados. Finalmente, em 2007 o grupo, composto por 11 pessoas, 7 delas mulheres, conseguiu a liquidação legal da empresa e se reconstituiu paralelamente como Centro Ecológico La Lombriz Feliz 1º de Maio. A ideia de formar famílias nas comunidades vizinhas foi retomada do centro, principalmente na gestão de resíduos, separando em casa o lixo doméstico entre resíduos orgânicos sólidos, outros resíduos recicláveis, atuando contra o desperdício. Hoje a dinâmica mudou, já que são as famílias que, a caminho do mercado ou do trabalho passam pelo centro para deixar seus resíduos orgânicos; O portão de entrada do centro está aberto durante o dia e facilita a entrega. Existem mais de 400 famílias que mudaram de hábito, separando seus resíduos. Alguns fazem compostagem em suas casas e têm suas pequenas hortas, dedicando-se para a agricultura urbana de acordo com suas possibilidades (espaço, disponibilidade de água, etc.). Muitas famílias coletam seus resíduos recicláveis não orgânicos, vendendo-o para recicladores na área. Desta forma, eles reduzem o volume de seus resíduos e obtém alguns rendimentos da venda de resíduos reutilizáveis.

Objetivos

Organizar uma empresa comunitária que ao mesmo tempo que resolva um problema ambiental, crie condições econômicas para a comunidade.

Público-alvo

Resultados

O que começou como uma iniciativa para cuidar do ambiente, sofreu uma transformação de uma empresa à procura da lucro para um centro ecológico que presta seus serviços com um espírito colaborativo para a comunidade e para tornar o ambiente sustentável. Hoje a atuação se dá em diferentes seções, entre camas de minhocultura, compostagem, horticultura, plantas aromáticas e ornamentais e criação de animais de. Há uma estrutura que cria circuitos de reutilização: resíduos orgânicos como matéria-prima e sua conversão em terras fertilizantes e humos, sua conversão em fertilizantes para produção de vegetais, além de alimentos para a criação de animais; o excremento de animais se transformam em resíduos orgânicos, recomeçando o ciclo. Como controle biológico dos maus odores da compostagem é usado o envoltório de alho produzido em massa na região. O uso da água obedece a uma lógica que começa da escassez de recursos hídricos. Para autogestão da energia elétrica do centro está sendo estudada a instalação de um biodigestor. Os volumes de produção de composto e humos alcançam até quatro toneladas, usadas para os pomares e a produção de plantas do centro, à venda local e no atacado e para áreas verdes na área. Onde há vinte anos existiam os lixões, hoje existem campos de futebol, com grama natural. A contribuição mais valiosa do centro é o compartilhamento da experiência e a transmissão do conhecimento adquirido.

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