Gestão do território

A expansão indiscriminada da fronteira agrícola para as áreas de páramo coloca em risco o suprimento de água de toda uma população. Diante dessa situação, a comunidade de Chilco teve que mudar sua lógica na gestão territorial, limitando o acesso ao páramo e restaurando os colchões de água. Essa decisão estratégica na gestão de seu território ajudou a consolidar as economias familiares da comunidade.

Confira mais informações sobre esta prática no site do Almanaque do Futuro (em espanhol): https://almanaquedelfuturo.files.wordpress.com/2017/05/almanaque-del-futuro-2-web3.pdf

Responsável: Fundación Social Cultural Ibarra

Local de implementação: Ibarra

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Descrição

Em 2004, iniciou-se uma seca na região Angochagua – na província de Ibarra nos Andes Equatorianos – que durou 25 meses. Devido ao pastoreio e à expansão da fronteira agrícola ao páramo, as poucas bacias hidrográficas reduziram o seu fluxo a tal ponto que não podiam abastecer a água para o consumo humano. O cenário desta situação ainda está presente na memória da comunidade de Chilco: desnutrição infantil e escassez de alimentos, migração para a cidade, animais atrofiados e sonhos empoeirados. Havia chegado a hora de levar a questão às autoridades, mas, além disso, a própria comunidade teve que tomar decisões e ações para enfrentar o problema. Com o apoio da Fundação Social Cultural Ibarra, a comunidade, diante da situação insustentável e dramática, optou por uma mudança de rumo. Foi feita uma visita de intercâmbio às comunidades camponesas com experiências de conservação de páramos. Então, foi tomado o passo talvez mais conflituoso para a comunidade: a remoção dos animais (vacas, ovelhas e até cavalos) do páramo. Entre 2006 e 2007, as comitivas dos membros da comunidade foram formadas em 20 oportunidades, forçando as famílias da comunidade que continuaram com a prática de pastoreio a realizar a remoção dos animais. A decisão que a comunidade tinha feito significava que muitas famílias reduzissem o número de seus animais, uma vez que o gado não podia ser mais levado para o páramo. Uma  vez que o fechamento do páramo para qualquer atividade agrícola ou pecuária foi alcançado, um viveiro florestal começou a produzir mudas de amieiras, espécies nativas do páramo. Através de mais de 25 mingas (dia do trabalho comunitário) com a participação das 40 famílias da comunidade, 45 hectares do páramo foram reflorestados, plantados com 27 mil árvores.

Objetivos

Reestruturar os páramos da província de Ibarra, combatendo o pastoreio e a expansão da fronteira agrícola e reavivando a flora e a fauna local.

Público-alvo

Comunidade originária

Resultados

Há boas notícias após 8 anos de recuperação do páramo. O fluxo da vertente principal que fornece água potável aumentou de 0,5 para mais de 4 litros por segundo, garantindo água de qualidade suficiente para toda a comunidade, seus cultivos e seus animais. As pastagens e a vegetação natural do páramo foram regeneradas, atingindo novamente um comprimento de fibra de até 1,5 metro. A flora e a fauna típicas do páramo voltaram. A umidade na profundidade do solo, que caiu para menos de meio metro, atinge novamente 3 e até 4 metros. Os animais nativos voltaram, como o condor, pássaro mítico com alto valor cultural que, durante 30 anos os camponeses da região não viram voar, além da coruja, da raposa, coelho, falcão e lobo, entre outros, criando novamente um ecossistema vivo na região. O exemplo do páramo de Chilco fez escola. O Conselho Paroquial de Angochagua, formado pela comunidade de Chilco e mais cinco comunidades, apoia o trabalho dos guardas florestais comunitários com recursos públicos; os Governos Cantonais e Provinciais levaram o fechamento do páramo de Chilco como referência para promover o uso adequado do solo ecológico dos páramos em todo o país.

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