Maior Produção de Arroz Orgânico da América Latina

Experiência que completa 20 anos, a produção de arroz orgânico do Movimento dos Sem Terra tornou-se a maior produção da América Latina. Unidas em cooperativas, são 363 famílias de 15 assentamentos e 13 municípios trabalhando na produção do cereal sem veneno e com a preservação dos recursos naturais.

Além da produção agroecológica do MST movimentar a economia local dos municípios onde atua, gera grande lucro ao país ao pagar os consequentes impostos e tornar produtivas as terras outrora improdutivas.

Responsável: Movimento dos Sem Terra

Local de implementação: 15 assentamentos e 13 municípios no Rio Grande do Sul

Contato

Site: http://www.mst.org.br

E-mails:

Descrição

A primeira experiência do MST na produção de arroz de base agroecológica ocorreu há 20 anos, em pequenas áreas no entorno da capital gaúcha. Sustentadas em uma rede de cooperação e de ajuda mútua, as famílias se organizavam inicialmente por meio da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), no Assentamento Integração Gaúcha, em Eldorado do Sul; da Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados de Tapes (Coopat), no Assentamento Lagoa do Junco, em Tapes; e da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita.

O debate sobre a construção de uma nova sociedade e a conscientização sobre os impactos dos modelos de agricultura na saúde e no meio ambiente fizeram com que centenas de outras famílias Sem Terra, motivadas pelas experiências da Cootap, Coopan e Coopat, começassem a produzir arroz agroecológico. Esse processo se fortaleceu por meio de intercâmbios e estudos sobre rizipiscicultura, arroz pré-germinado, secagem, armazenagem, beneficiamento, processamento e formas de comercialização.

Os assentados preparam o solo e plantam o arroz em sistema pré-germinado. A produção é totalmente livre de agrotóxicos. Quando se faz necessário o controle de pragas, utilizam biofertilizantes, repelentes naturais ou insumos permitidos pela legislação dos orgânicos. A água também ajuda a combater inços e plantas indesejadas. Já o melhoramento do solo é feito com incorporação de matéria orgânica, como estercos de animais e palhas de arroz, uso de calcário, pó-de-rocha e fosfato natural.

Desde 2002, os produtores se organizam no Grupo Gestor do Arroz Agroecológico, constituído a partir da união de famílias de vários assentamentos que passaram a compartilhar experiências e a aperfeiçoar suas visões enquanto coletivo. Isso resultou em avanços na cadeia produtiva de arroz orgânico do MST.

A maior parte do arroz orgânico produzido pelo MST é destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Assim, além de abastecer o RS, o alimento chega aos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, podendo também ser adquirido em feiras ecológicas e, desde 2008, passou a ser exportado.

O arroz orgânico é certificado desde 2004, em todas as etapas da produção, com base em normas nacionais e internacionais, por meio da certificação participativa (OPAC – Coceargs) e de auditoria (IMO – Ceres).

Objetivos

Promover a distribuição de renda e a integração social e econômica entre as famílias assentadas produzindo alimentos saudáveis em escala, contrapondo-se ao modelo do agronegócio, com respeito à vida, aos ciclos da natureza e ao meio ambiente.

Público-alvo

Resultados

Atualmente há 363 famílias do MST produzindo o arroz orgânico em 15 assentamentos e 13 municípios – Charqueadas, Capela de Santana, Eldorado do Sul, São Jerônimo, Canguçu, Manoel Viana, Tapes, Arambaré, Nova Santa Rita, Viamão, Capivari do Sul, Guaíba e Santa Margarida do Sul. A área plantada na safra de 2018-2019 é de 3.433 hectares, e a estimativa de colheita é de aproximadamente 16 mil toneladas. É a maior produção de arroz orgânico da América Latina, posição confirmada pelo Instituto Riograndense de Arroz (IRGA).

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