Na contramão do futuro

Yasuní, um parque em uma selva isolada localizada na Amazônia equatoriana, tornou-se um ícone internacional da luta cidadã a favor da vida, da biodiversidade e da natureza como sujeito da lei, consagrada na constituição do Equador. A mudança alcançada no imaginário da sociedade equatoriana é talvez até muito inicial e reduzida, mas desafia a partir da sociedade o paradigma de desenvolvimento pré-estabelecido. YASunidos é um grupo aberto de jovens que foi formado para esta tarefa.

Confira mais informações sobre esta prática no site do Almanaque do Futuro (em espanhol): https://almanaquedelfuturo.files.wordpress.com/2017/05/almanaque-del-futuro-18-web.pdf

Responsável: YASunidos

Local de implementação: Yasuní

Contato

Site: https://yasunidosinternational.wordpress.com/

E-mails:

Descrição

Em 2007 no Equador, um grupo de organizações ambientais e sociais, juntamente com muitos jovens urbanos, retomaram a campanha da “Amazônia pela vida”, uma campanha que nasceu no final dos 80, para denunciar os danos causados para as operações da empresa Texaco. Os planos para expandir a fronteira do petróleo na Amazônia e, em particular, a chegada da indústria extrativista para o Parque Nacional Yasuní despertaram preocupação, além de resistência cidadã. O local do campo
Petroleiro da ITT, abreviação dos setores do Ishipingo, Tambococha e Tiputini, no meio do parque abriga uma alta biodiversidade, onde por quilômetro quadrado existem mais espécies de árvores do que em todos os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, povos indígenas vivem nessa parte da Amazônia (Kichwa ou Naporuna, Waorani), alguns deles não contatados ou isolados voluntariamente (Tagaeri e Taromenane). Três anos depois, jovens ecologistas e defensores de vida selvagem decidiram seguir sua luta para salvar a Amazônia. Para garantir que a resistência cidadã siga em frente, eles criaram o movimento YASunidos que obedece, principalmente, a duas regras: uma posição não partidária e a ideia de criar políticas que não sejam como as práticas políticas tradicionais, não permitindo que o movimento seja explorado nem por partidos políticos, nem pelos meios de comunicação. Diante da mudança de postura do governo em direção ao Yasuní, YASunidos não ficou com os braços cruzados. Enquanto o aparelho estatal começou a desacreditar o movimento, categorizando-o como “um grupo de classe média jovem com boas intenções, mas manipulados”, e até fazendo relações do YASunidos com atos terroristas, o movimento com o apoio de várias organizações decidiu coletar assinaturas para abrir o caminho para uma Consulta Popular contra a exploração no Yasuní.

Objetivos

Realizar uma Consulta Popular sobre a exploração de petróleo na Amazônia Equatoriana.

Público-alvo

Resultados

No final, mais de 755.000 assinaturas foram colhidas pela sociedade civil equatoriana. Um êxito ressonante se se leva em conta que o Equador é um país com tradição petroleira. Para conseguir a admissão de uma Consulta Popular, o movimento ainda necessitava de 485.000 assinaturas. Mas o Conselho Nacional Eleitoral, como entidade verificadora, em circunstâncias escandalososas anulou aproximadamente 60% das assinaturas; após o desafio do primeiro julgamento duvidoso, foram admitidas 10% mais assinaturas. Mas mesmo assim, o caminho para a Consulta Popular foi fechado pelo Estado. YASunidos então levou o caso para a Corte Interamericana de Direitos Humanos – CIDH, e ainda está aguardando o veredicto do tribunal. O impressionante é que as ações de YASunidos impactaram no imaginário da população equatoriana: enquanto uma pesquisa em 2007 mostrou que de cada 5 pessoas entrevistadas apenas 1 já havia ouvido falar do Yasuní, em 2012, o evento político mais relevante na percepção da sociedade tinha sido a iniciativa Yasuní-ITT do governo. Um ano depois, as maiorias exigiram que fossem consultadas sobre se o Estado deveria ou não explorar o petróleo no Yasuní. O tema de Yasuní tornou-se um símbolo.

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