Abordagem sistêmica para fortalecimento de cooperativa de catadores

O projeto desenvolvido entre a Cooperal, cooperativa de catadores, e a Giral, uma empresa de consultoria focada na gestão de projetos de relacionamento entre o mundo corporativo e comunidades, esteve fincado em um abordagem sistêmica para fortalecer a cooperativa, reorientando o relacionamento com o principal parceiro da cooperativa: a prefeitura do município de Alumínio, na região de Sorocaba, interior de São Paulo. A mudança do padrão de relacionamento, partindo de uma relação baseada no serviço social para uma atuação junto aos departamentos de serviço e planejamento, foi resultado de um olhar dirigido para todo o sistema local, deixando uma perspectiva que via as cooperadas como objeto de políticas de assistência para valorizar a sua atuação como agentes de um sistema municipal .

Responsável: Cooperal (Cooperativa de Reciclagem de Alumínio) e Giral/Viveiro de Projetos

Local de implementação: Alumínio

Contato

Telefones: (11) 4715-7050 (Cooperal) / (11) 2639-0670 (Giral) /

Endereço: Cooperal: Rua José Lourenço, glp 307 - Alumínio (SP) / Giral: R. Laboriosa, 37 - Vila Madalena, São Paulo

Site: http://www.giral.com.br

E-mails: contato@giral.com.br

Descrição

Contando com o apoio dos responsáveis pela gestão pública da cidade de Alumínio, o projeto pôde dar suporte para o encaminhamento de questões vitais para a melhoria da qualidade de vida das cooperadas. Inicialmente, o serviço de coleta seletiva do município foi retomado por uma empresa especialmente contratada para tal fim. Isso permitiu o aumento da renda e a diminuição das horas trabalhadas, uma vez que as cooperadas passaram a se dedicar integralmente ao processo de triagem e comercialização de materiais recicláveis. Com o fortalecimento da relação, novas parcerias foram se estabelecendo, abrindo o canal para a melhoria contínua do sistema e contribuindo diretamente para a elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, conforme preconizado pela lei federal 12305 – a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Com as parcerias estabelecidas, um projeto focado na geração de trabalho e renda de um pequeno grupo cresceu, gerando melhoria da qualidade de vida para os cerca de 15 mil habitantes do município.
A metodologia de trabalho foi desenhada com intuito de fornecer às cooperadas envolvidas um suporte que combinou assessoria e formação em diferentes frentes de trabalho, na forma de oficinas e reuniões dentro da própria cooperativa. Os eixos norteadores foram:
– Qualidade de Vida – Frente de trabalho que aborda temas relacionados à saúde das cooperadas, suas dinâmicas de governança e acesso à redes de assistência social do município;
– Produção e Comercialização – Frente de trabalho focada na otimização dos processos de coleta, triagem e comercialização da cooperativa;
– Gestão Administrativa – Frente de trabalho focada na administração da cooperativa, além do cumprimento das obrigações legais e fiscais da cooperativa;
– Educação Ambiental – Suporte ao grupo responsável pelo relacionamento com a população, grandes geradores e o sistema de coleta seletiva municipal.

Objetivos

Ao invés de atuar apenas no fortalecimento da cooperativa através da capacitação do grupo, o objetivo foi desenvolver uma abordagem sistêmica, orientada para a ação nos diferentes elos da realidade local que impactam na produtividade da cooperativa, para garantir que o desenvolvimento econômico fosse traduzido em riqueza social e diversidade ambiental, promovesse mobilização, engajamento, transformação e, principalmente, melhoria da qualidade de vida das pessoas hoje e no futuro.

Público-alvo

Cooperativas de catadores e poder público

Resultados

O apoio da prefeitura viabilizou a retomada do sistema municipal de coleta seletiva, que até então era operado pelas próprias cooperadas, por uma empresa especialmente contratada para tal fim. A mudança de sistema permitiu que as cooperadas se dedicassem inteiramente à triagem e comercialização dos materiais coletados, aumentando em mais de 200% a quantidade de material coletado e destinado corretamente pelo sistema. Assim, os resultados alcançados ao longo de 2011 permitiram:
– Início do processo de elaboração do plano municipal de gestão de resíduos sólidos;
– Aumento da renda média mensal de aproximadamente R$ 200,00 (mar/11) para R$ 600,00 (jan/12);
– Aumento do número de cooperadas de 7 para 11;
– Aumento da capacidade mensal de processamento da cooperativa, de 8 para 18 toneladas/mês;
– Criação de referência de diálogo para relacionamento entre empresas, organizações da sociedade civil e poder público;
– Limpeza do Galpão da Cooperativa.

Com relação aos resultados decorrentes do PNRS, destacam-se:
– Aumento da renda das cooperadas em mais de 430% em 8 meses – de aproximadamente R$ 180,00 em abril de 2011 para mais de R$ 700,00 em janeiro de 2012);
– Aumento do número de postos de trabalho de 7 para 11;
– Aumento do volume mensal de material comercializado pela cooperativa de 8 para 20 toneladas/mês;
– Melhoria na limpeza e organização do galpão da Cooperal;
– Elevação do interesse, participação e apropriação pela gestão da organização;
– Construção coletiva e apropriação da visão de futuro e plano de fortalecimento da organização;
– Realização de Intercâmbio (visita) em organização de referência;
– Construção de processos de gestão financeira e governança (regimento interno);
– Estabelecimento de canal de diálogo com a Prefeitura para melhoria do sistema de coleta seletiva operado por empresa terceirizada;
– Abertura de processo administrativo para elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS.

O desafio continua ao longo de 2012 com a renovação do projeto junto à Votorantim Metais e ao Instituto Votorantim.

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